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O Tipo da Coisa



Depois de passar por várias fases na vida, a pessoa fica meio sem noção de quem é, afinal, esta criatura que se chama "eu". Pelo menos eu fico. Tá, nem sou tão idosa assim, mas sempre que rola um describe yourself ou qualquer coisa do tipo, a grande questão - quem sou eu? ou como diabos afinal posso me definir de maneira sucinta, compreensível e honesta? - vem à tona.

Toda a confusão começou quando eu, uma garotinha já confusa, 15 anos incompletos ou algo semelhante, choquei todos os classmates lá no finado DEC. Era uma atividade lúdica: depois de ler um texto sobre grafologia, a gente tinha que trocar umas frases aleatórias pra analisar a personalidade do outro de acordo com a caligrafia. Com minha letra mínima e tortinha, o resultado facilmente encontrado foi: trata-se de uma pessoa muito tímida. Antes de consultar a pessoa em questão, profe e toda a turma foram logo duvidando da grafologia. Pois que antes duvidassem de mim. Falei que a análise estava fidelíssima à minha personalidade. Aí é que ninguém acreditou mesmo. Ok, como é que eu ia explicar que lá eu era exceção de mim?

Desde então, várias interrogações assustadas como "A Mônica, engraçada?!" ou "A Mônica, ansiosa?!" têm sido feitas quando pessoas que me conhecem em ambientes diferentes se esbarram. E as coisas só tendem a piorar. Já me acharam com cara de pingunça, cdf, maconheira, meiga e até... forrozeira. [tá, o cara só perguntou se eu gostava de forró depois de eu dizer que odeio reggae. mas daí pro forró havia toda uma gama de opções descartadas por ele]

As melhores definições de mim foram:

"Uma garotinha confusa" e "Alguém que só quer ser garotona, mas não passa de uma garotinha".

Entendeu?

Pois então, aí vou eu, chocando os que fazem julgamentos apressados pelo mundo afora.

[e controlando o ombudsman de mim mesma que existe dentro do meu eu. acho que preciso de psicanálise]



Escrito por Monie às 13h29
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Papai é Moroni

Lembra daquela propaganda: "Moroni, o menino roubou meu tênis!" Pois agora eu tenho que agüentar isso dentro de casa. É que o codomínio passa pela efervecência da sucessão sindical - altas alianças e o temor geral de que se instale uma ditadura, emperrando o processo democrático. E aí  meu pai, que é a única pessoa aqui de casa que conhece os vizinhos - por nome, sobrenome, nº do apartamento, família, ocupação e região do Brasil de onde migrou - é o centro de todos os conchavos.

Aí estamos todos em casa, uma simples família de classe média, que fica feliz com pequenos prazeres da vida - papai cochilando na rede depois do almoço, mamãe e filhinho curtindo horário eleitoral gratuito, a jovem filhinha saboreando a sobremesa alegremente. Eis que, para desestabilizar a felicidade pós-almoço, a campainha toca. Adivinha qum é? Uma vizinha chega pra contar que o síndico cobrou mais juros do que devia, outra chega pra colocar seu nome à disposição para a vice-candidatura e assim vai. Mas chegou ao cúmulo de um cara chegar pra dizer que arranharam o carro dele. E aí, meu pai né xerife não, bróder!

E quando chegam na hora de almoço, que meu pai oferece pra eles comerem com a gente. Só pode ser muito político mesmo, ó. Eu botando a vassoura atrás da porta e meu pai: "sente, fique à vontade" e todas aquelas frases feitas de gente educada. Não que eu seja completamente anticivilizada. Meu grande problema é qualquer surpresinha que me impeça de usar meus shorts que foram para a II Guerra Mundial. Saca aquela música "tô trancado aqui no quarto, de pijama, porque tem visita estranha na sala..."? Rola uma identificação entre eu e ela desde que sou pequena.

Pelo eleitorado jovem

Conselho para os candidatos: para conquistar o eleitorado jovem, tão citado em todas as propagandas políticas, não faça passeatas antes de meio-dia nos fins-de-semana. Porque toda a população da "grande Varjota", como dizia a mulher, foi acordada hoje com gritos no microfone e rojões. Eu tava tão desestruturada que cheguei a pegar um ovo pra jogar na cabeça do cara, mas ele tava dentro do carro de som e o máximo que eu conseguiria fazer era atingir a militância paga. Desisti. Mas ia ser muito bom extravasar toda a raiva infantil numa ovada! Lembrei de quando meus primos jogavam pilha no teto de metal da banca de revista. Era torturante pro pobre vendedor, e eu me recusava a participar de tal prática. Vai ver por isso o ovo me pareceu tão tentador...

Maravihosa e cheia de encantos mil

Sabiam que Porto Alegre foi eleita a melhor cidade do mundo? Pelo menos num universo de duas capitais brasileiras - a outra é Fortaleza - PoA é campiã. As pessoas são mais gentis, educadas, prestativas e bonitas; todos os gaúchos, de todas as idades, cores, tamanhos e modelos, vão a um parque liiiindo nos domingos e to-dos tomam chimarrão; os ônibus não ficam sacolejando e dando aquelas freiadinhas nojentas, nem é preciso passar meia hora esperando por eles. Alguns cuidados são necessários, como:

1. se você perguntar: "esse ônibus entra no campus da PUC?" e disserem que sim, não acredite.

2. quando forem lhe cumprimentar e depois dos dois beijinhos o cara tiver com a cara a 2mm de você, ele não tá tentando te agarrar. É que alguns gaúchos dão três beijinhos ao invés de dois e é preciso estar sempre alerta. Nunca se sabe qual das duas opções será.

3. quando perguntar: "esse ônibus passa na Getúlio?" e o trocador disser que sim, é mentira dele. O ônibus corta a Getúlio.

4. não faça como o Chico Bento na cidade grande. Nem mesmo os trocadores são obrigados a saber onde fica a faculdade de Comunicação. É o mesmo que ficar indignado por não informarem como chegar à casa da Micheline.



Escrito por Monie às 12h11
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O limite

Ok, não é assim tão facilmente que se desfaz de um blog querido. Com ou sem template style, vai assim mesmo.

Esse blog deve tentar fugir de ser só um diariozinho idiota, mas ultimamente tenho pensado que a o limite entre uma idéia diferente e legal e uma coisinha estúpida é muito, muito tênue. Um texto engraçado e um texto ridículo, um texto criativo e um texto clichê, não são opostos. São bem próximos. Basta um leve deslize prum escorregão feio.

E pra não escorregar, ou escorregar pouco, precisa ser fodão. Como eu não sou fodona, você vão ter que se acostumar. Bem que eu queria prometer um blog sensacional, mas não rola. Tamém não vou ficar o tentando escrever coisas fantásticas, porque resultaria num blog superdesatualizado. E eu tô fazendo essa p**** é pra me divertir, não pra ter dor de cabeça!

Aos que já acompanhavam O Tipo da Coisa, devo dizer que não sei se tenho ainda aquele faro seletivo de blogueiro. Hã??? É, ó. Um dia desses, tava conversando com um amigo e ele: se tu botasse isso no teu blog, eu ia rir muito. Realmente era coisa de blog aquilo, mas eu nem me toquei. Agora, por que contando ele não riu muito e riria no blog, eu não sei.

Então é isso, babies. Tá bom de encher com esse editorial fajuto. Já tô doida pra postar outras mil coisas.  



Escrito por Monie às 09h44
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